Policial

Ex-governadora Rosalba Ciarlini é condenada por esquema de propina na Arena das Dunas

Sentença aponta enriquecimento ilícito de ex-gestores e empresários; MPF recorre para aumentar valores das multas e incluir perda de função pública.

O Ministério Público Federal (MPF) obteve a condenação da ex-governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini Rosado, por participação em um esquema de propina envolvendo a construção da Arena das Dunas, em Natal, para a Copa do Mundo de 2014. A decisão também alcançou seu marido, Carlos Rosado, além de outros ex-gestores e a construtora Coesa (antiga OAS).

Segundo as investigações, o esquema foi revelado pela Operação Mão na Bola, deflagrada em 2019, e consistia no pagamento de propina com recursos do BNDES, por meio de contratos superfaturados e serviços fictícios. O objetivo era garantir a parceria público-privada da arena e evitar greves que poderiam comprometer as obras.

A sentença da 1ª Vara da Justiça Federal do RN determinou a restituição dos valores desviados, aplicação de multas de igual valor, suspensão de direitos políticos e proibição de contratar com o poder público por 14 anos. Rosalba e Carlos Rosado deverão devolver, respectivamente, R$ 123,3 mil e R$ 406,7 mil. A construtora também foi condenada a multa milionária e está proibida de firmar contratos públicos.

Além de provas documentais, o processo contou com depoimentos de testemunhas e réus colaboradores, como o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, e o doleiro Alberto Youssef, que confirmaram os pagamentos ilícitos. As investigações da Receita Federal ainda identificaram evolução patrimonial incompatível dos envolvidos, reforçando as acusações.

Na última sexta-feira (12), o MPF recorreu da decisão pedindo majoração dos valores de multa e ressarcimento. O órgão solicita que as penas sejam aumentadas para até R$ 655,4 mil, no caso de Rosalba, e R$ 465,7 mil, no de Carlos Rosado, além de mais de R$ 1 milhão para os demais réus. O recurso também requer a inclusão da perda de função pública e até cassação de aposentadoria para os condenados.

De acordo com o procurador da República Higor Pessoa, autor do recurso, a aplicação de penas mais severas é fundamental para garantir o caráter punitivo e preventivo da lei de improbidade administrativa. A decisão ainda cabe recurso e será analisada pelas instâncias superiores da Justiça Federal.

Rállyson Nunes

Jornalista com a DRT 2233/RN, apresentador e repórter de rádio com atuação no Grupo TCM de Comunicação, comentarista político, repórter de TV, Diretor de Empresa Jornalística com a DRT 0001/RN, Tec. em Hospedagem de Sites, Sistemas e Rotas de DNS, Empresário responsável pelas empresas Crianet e Gazeta do RN.

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