Pressão de mães atípicas faz Câmara adiar votação de projeto polêmico em Mossoró
Proposta enviada pelo prefeito Allyson prevê contratação temporária de 800 profissionais sem qualificação específica para atuar no cuidado de alunos com deficiência

A robusta bancada do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (UB), que conta com 15 vereadores, sofreu sua primeira derrota na Câmara Municipal. E a pressão não veio da oposição, mas sim de mães atípicas que conseguiram adiar a votação do Projeto de Lei 115. O texto, enviado pessoalmente pelo prefeito na semana passada, prevê a contratação temporária de 800 profissionais sem qualificação específica para atuar no cuidado de alunos com deficiência ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas da rede pública municipal.
A sessão desta terça-feira (1º) foi marcada por debates e mobilização das associações de mães atípicas, que protestaram contra a proposta. As manifestantes interromperam os trabalhos e exigiram diálogo com os vereadores, argumentando que a medida coloca em risco a qualidade do ensino e o direito à educação inclusiva.
“O PL proposto pelo prefeito está na contramão da garantia dos direitos das pessoas com deficiência e autistas, no que tange o acesso a uma educação que deve ser efetiva, de qualidade, inclusiva e participativa na promoção do aprendizado”, criticou Dávida Oliveira, presidente da Associação de Mães Atípicas de Mossoró.
Segundo as mães, a contratação de profissionais sem qualificação específica compromete o atendimento adequado às necessidades educacionais dos alunos com deficiência. Elas defendem que a Prefeitura deve investir na formação técnica dos profissionais que atuarão com essas crianças.
Após pressão, os vereadores decidiram adiar a votação do PL, dando espaço para novas discussões sobre a proposta. O adiamento é uma derrota para o governo municipal, que contava com a aprovação célere do projeto.





